sexta-feira, 4 de novembro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

POETA

Donna Boris


Nas mãos
Um carinho, um aceno, um verso.
Um pensamento que toma forma
Nem sempre simples
Mas... transparente.
Nasce com timidez viva
Reflexo do espírito,
Ainda que a negue
Revela no escrever.
Na fala muda, das palavras,
Diálogos interiores...
Julgados, amados
Respeitados desde o inicio
Considerados pensadores.
A evolução em “retrocesso”
Adjetivos pejorativos
Na falta de informação
São dirigidos.
Encantados... encantadores!
Não tem como negar...
É equilíbrio da existência
E nenhuma ciência explica
O dom do Criador.
Acalanto, acalento
Da lagrima a alegria
Do silencio a canção.
Amar e amar
O infinito flutuante
Consolidado em poesia.
Que brilho a vida teria
Sem o sonho que matiza
O vôo da realidade
Só descrita pelo Poeta?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

PIPOCAS SÃO FLORES

Donna Boris


Na pracinha, Clara brincava
Sorria com outras crianças
Corria, cantava...
Clara é sempre contentamento.
Na idade da observação aguçada
Nada passa... despercebido
Aos seus, cinco, mágicos anos.
No meio da brincadeira
Ela para... fica com olhar fixo
No ponto da sua atenção
O pipoqueiro...
Mas não pediu pipocas
Às vezes batia palmas.
Foi caminhando devagarzinho
Bem perto dele... parou
E a pergunta veio em seguida
Por que o senhor é pipoqueiro?
Porque vendo pipocas... respondeu o Sr.
Não poderia ser florista?
Com a paciência dos seres
Que já acumulam anos vividos
Disse carinhosamente:
Eu não vendo flores...
A irreverente Clara
Com as duas mãos na cintura
Falou com a sapiência infantil:
Vende sim
E todas branquinhas
São flores do milho
Eu vi o Sr fazer...
Elas estouram de alegria
Ficando fora da casquinha.
E olhou para o carrinho
Cheio de pipocas...
São flores ou não são?
Encantado e sem solução
O pipoqueiro concordou...
São flores minha criança
Estás com toda razão...
Clara ganhou pipocas de presente
Retribuiu com um belo sorriso
Agradeceu
E voltou à brincadeira
Até a próxima observação...
“Crianças... nada se compara a elas!”

MEU PRIMEIRO AMOR

Donna Boris

Amor a primeira vista
Existe!
Ainda lembro o momento que o vi
Meus olhos brilharam.
Quando percebi o seu
Criar, fazer e desfazer
Ali me apaixonei!
Ao descobrir que o seu bailado
Podia ser colorido
Deslumbrei!
E todo o seu trajeto feito
Silenciosamente...
Respeitado a minha vontade
Sempre me deixou
Livre...
O que viria ser um som
A harmonia na produção
Dependeria só de mim...
Quanta sabedoria!
Do pensamento... a música
Como aprender e crescer sem ele?
Meu primeiro amor
Surgia para me acompanhar
Por toda a vida...
Uma lição que nunca esqueci:
A humildade.
Se traçado errado for
Para, se deixa apagar
E volta a refazer de forma correta
Com o mesmo brilho.
Quanto mais ensina
Menor fica
Doando parte de si.
Na estatura final
Não perde a beleza do nascimento.
Alguns são guardados com histórias lindas
E que lição toda criança tem nas mãos...
Só precisa ser orientada
E valorizar esse “primeiro amor”.
Bendito seja... O Lápis!

terça-feira, 4 de outubro de 2011

PRECE

Donna Boris

 
Hoje despertei lembrando
O filho que tanto amou a natureza
E entendia a linguagem
Dos anjos especiais
Que chamam de animais...
Seres que no silencio
Falam, na forma do olhar...
E cantos que colorem a vida
Elevando-nos aos céus, pela beleza.
Tão perfeita é a criação...
Se um dia... homens vazios
Parassem por um instante
A observar tais criaturas
Desarmados de ressentimentos
Veriam quão sábios... são.
Cantam agradecendo a vida
A liberdade do viver
São semeadores naturais
Conservando a beleza da natureza.
Cada um tem sua particularidade
Que se aprendida pelos falantes humanos
Melhores seres... com certeza seriam.
Eles não acumulam tesouros materiais
Nem transportam bagagens.
Estão sempre completos
No que precisam ter
Nascem sabendo ser
E que beleza... são.
Deus... pouco peço
Pois me dais o que mereço
Sempre que acordo, agradeço...
O que repito antes de dormir.
Mas hoje... atende a minha prece
Que a humanidade
Encontre o caminho da Paz
Saiba viver na fé
Cultive o amor sem preconceitos
Pratique o respeito
E... Salve os animais.
Muito obrigada... Amém.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EM MIM


Donna Boris


Há musica na lembrança
Saudade que agora canta
E faz vivo o momento passado.
Pego-me sorrindo...
Brincadeira corriqueira
Que enfeitava a vida
Tempo que nunca apaga...
Olho a estrada percorrida
Lembrança das minhas lembranças
A musica na surpresa
Faz-me voltar...
Guardado dos meus guardados
Arquivo de vida...
Observando o momento
Faço um descobrimento
Unindo pontos distantes.
A lembrança que visita
Traça uma linha sem fim...
Na brincadeira que alegrava
Uma presença não faltava
E agora fui descobrir
Que o menino que desenhava
Enquanto a musica tocava
Tinha traços que reconheço
Estava no meu avêsso
A eterna lembrança.
O menino hoje
Desperto no arquivo
E sempre presente no caminho
Morava todo o tempo
Em mim...
Agora sei:
Menino... menino
És tu.

domingo, 25 de setembro de 2011

AO QUE É BELO

Donna Boris.


Descobri a beleza que havia no meu vazio.
Analisando e pesquisando o que ali continha,
Encontrei-me sorrindo...
Nunca vi um vazio tão cheio...
É tanto o que ele compondo um
Maravilhoso nada guarda que,
Fitando esse vazio, me completo.
A minha linda visão da arte
No incolor e abstrato painel retrata...
O infinito do vazio na mais completa realidade.
Sábio vazio... que de tão mago
Não se permite encher.
Acho que ele tem mesmo é receio...
É... encher... enche...
Assim sendo, deixe esse meu vazio sozinho
E, pintando os seus painéis,
Usando gotas de água transparentes
Só tingidas pelos raios do sol.