quinta-feira, 13 de outubro de 2011

PIPOCAS SÃO FLORES

Donna Boris


Na pracinha, Clara brincava
Sorria com outras crianças
Corria, cantava...
Clara é sempre contentamento.
Na idade da observação aguçada
Nada passa... despercebido
Aos seus, cinco, mágicos anos.
No meio da brincadeira
Ela para... fica com olhar fixo
No ponto da sua atenção
O pipoqueiro...
Mas não pediu pipocas
Às vezes batia palmas.
Foi caminhando devagarzinho
Bem perto dele... parou
E a pergunta veio em seguida
Por que o senhor é pipoqueiro?
Porque vendo pipocas... respondeu o Sr.
Não poderia ser florista?
Com a paciência dos seres
Que já acumulam anos vividos
Disse carinhosamente:
Eu não vendo flores...
A irreverente Clara
Com as duas mãos na cintura
Falou com a sapiência infantil:
Vende sim
E todas branquinhas
São flores do milho
Eu vi o Sr fazer...
Elas estouram de alegria
Ficando fora da casquinha.
E olhou para o carrinho
Cheio de pipocas...
São flores ou não são?
Encantado e sem solução
O pipoqueiro concordou...
São flores minha criança
Estás com toda razão...
Clara ganhou pipocas de presente
Retribuiu com um belo sorriso
Agradeceu
E voltou à brincadeira
Até a próxima observação...
“Crianças... nada se compara a elas!”