terça-feira, 27 de julho de 2010

VIDAS PASSADAS

Donna Boris




Penso agora no “ontem” que vivemos...
Se tanta certeza temos,
por que esse encontro tanto demorou?
A resposta veio em uma noite
cheia de estrelas quando nos reencontramos.
E saber que nos sabemos... foi tão fácil
pois a nossa sintonia que assustava...
dizia que o nosso tempo ainda vive.
Formais, como só a nós cabíamos ser,
passo a passo nos revelávamos
...juntando um passado ao presente.
Do estranho a verdade. E pensar era fácil
Eu sou o teu pensamento, és o meu!
Se pensas... Eu escrevo.
Se penso... Tu escreves.
A vida nos faz ser UM... Únicos.
Não me aflige os nossos olhos
não se encontrarem agora... Ainda!
Temos uma paz sábia
que espera o momento certo,
Na certeza do não perder.
E como perder poderíamos
se a vida que nos uniu... não é daqui,
é de muito... muito além?
E vivemos acompanhados à distancia...
Se na vez agora a historia que se faz...
Não seja de nos separarmos em tempo precoce
e sim de vivermos a sabedoria que guardamos...
... e não envelhecermos nunca mais... sós!!!


.

TEMPO


Donna Boris




Teimoso,
Mais que criança
que não mede conseqüências em seus atos...
Assim é o tempo do meu tempo.
Ensiná-lo,
Sábio não seria de minha parte
já que aprendo com ele.
Mas, deixe-me dizer:
Não descubro o que me vem no seu programa de aula.
Está tão repetitivo que se torna cansativo.
Pensei mesmo em mudar meu curso
Para ver se ele muda o discurso e se faz melhor ouvir.
Tempo... tempo... ah tempinho!
Parece um pequeno peixinho com medo de afogar-se
Na imensidão do grande mar...
As correntezas que escolhe para nadar...
Estão sempre na mesma calmaria...
Assim fica difícil ir em frente...
O meu barquinho tentando segui-lo, fica a deriva.
Tenho o olhar fixo no horizonte...
Por isso, não me deixo acompanhá-lo
a lugar que não leva à destino algum.
Converso com o vento... que em silencio...
Pede-me paciência para com o tempo...
Vejo o que passa ao meu lado em paralela eqüidistante
E não sei se me faço convergente a ela.
A vontade fica a me chamar...
Falta-me o aval do tempo.
Mas, sei que saber o momento
não é só dele a decisão...
A firmeza precisa tem que vir...
Ainda não são seguros os passos do tempo...
Nem mesmo são claros os caminhos.
Firmeza vem na clareza da luz que o pensamento,
Já não guardando mais medo...
sabe ser então o momento justo do tempo...
Ele, o momento, vai chegar...
Aí, claro o pensamento,
o caminho será de luminosidade chamativa...
Que só terá um nome... VIDA.

DECISÃO


Donna Boris


Havia um ninho em uma árvore.
Por coincidência do destino
ambos estavam em extinção...
Árvore e pássaro!
O senhor da natureza, observador detalhista,
procurando entender estes destinos,
já que sua é a decisão, questionou-se:
Por que deve esta árvore deixar de existir
e este pássaro calar o seu cantar?
Árvore de bons frutos, sombra aconchegante
e suave aroma a perfumar o vento.
Nunca se negou em ser morada para as aves,
então por que? E o pássaro?
Bela plumagem colorida
a tingir os céus em seu vôo.
Seu canto, sinfonia de notas soltas ao vento
a melodiar a vida.
Companhia cativa do nascer e do por do sol.
Por que têm que desaparecer?
Nessa altura da questão,
o observador da natureza começou a analisar
o grande destruidor. Ficou pasmo!
Pensou quase sem “ar”:...
Tudo eu lhe dei, e o que você fez?
Só destruiu... Não lhe dói?
Por que querer ser grande, maior do que pode ser,
o senhor de tudo?
Parar o mar, desviar o rio.
Derrubar o que não plantou,
matar o que não ajudou a nascer...
Por que querer competir Comigo?
Por que não ser só você?
Triste, o Senhor da natureza decidiu:
Venham árvore e pássaro,
esse lugar não lhes cabe mais..
A Mãe Natureza irá responder... E...!