sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DESABAFO DO BULE DE CHÁ

Donna Boris


Fui descartado!
Da minha família
Só lembranças...
Em tardes longínquas,
Era eu a atração esperada
No chá que trazia
A hora sempre marcada.
Conversas animadas,
Declarações, planos,
Revelações...
Risadas, choros,
Eu sempre estava presente.
Em algumas tardes
Era o confidente
Fiel, ouvinte dos segredos,
Guardava...
Hoje, sou peça ultrapassada.
Perdi lugar para a modernidade.
Raras são as reuniões
Nos finais das tardes.
A hora do chá
Em que se tornou?
Esquecido em lugar
Silencioso e esperançoso,
Aguardo que vejam
A minha beleza...
Quem sabe possa figurar
Em uma mesa,
Com alegria que um dia tive?
Passando por mim,
Vi em alguém o brilho no olhar...
Foi amor à primeira vista...
Citou minha cor mais bonita,
Apaixonou-se!...
Meu espanto quando ouvi:
Eu quero!
Seguido do comentário
Que belo eu ficaria
Sobre uma toalha de renda delicada
Xícaras semelhantes,
Sequilhos acompanhantes
Na conversa do par.
A concordância do pensamento
Estava traçada a minha aventura.
Sorri, outra vez... feliz.
A antiguidade é sábia
Por não perder a esperança!

domingo, 30 de janeiro de 2011

A MENINA DA JANELA

Donna Boris.


Distante... constante,
Presente... entre mente,
Do onde... ao qual?
Vim... por que?
A quem... quando?
E o tempo... responde?
Responde...
Saudade... idade...
Sonhos... menina.
Passou... ficou.
Vista janela
Tarde... sempre
Esperar... não perdeu...
A janela envelheceu
Com ela... eu.
A menina ficou.
O sonho guardou
A saudade atendeu.
O tempo se fez presente.
Observações continuam...
A menina na lembrança vive
Agora... ainda com os “por quês?”
Mas... não, “com quem?”