quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PEREGRINA...


Donna Boris
Um dia busquei um caminho
E nem louco nem lógico encontrei...
Então parei, fixei...
Era claro, como brilhava
Era vivo, pois que havia nascido...
Era aquecedor,
Todo ele era amor.
Parei, fixei, vivi.
Dias mil tudo lindo,
Uma vida, tudo claro.
A felicidade não tardou a ser companhia,
Era tão livre a alegria que contagiava.
Às vezes podia gritar...
O mundo todo era ouvido,
Teus ouvidos,
Eras meu mundo...
Que brilhava
Que nascia
Que amava
Que vivia
Que tornava feliz companhia
Eras a minha alegria
E...
Tudo passou
Tudo mudou
Tudo se foi
E ficou escuro
Ficou mudo
Ficou sozinho
Muito sozinho
Ficou triste
E...
Hoje ando peregrinamente
Buscando outra vez o caminho
Em que quase perfeita fui.
Busco o caminho
Brado ao vento
Chame como chame
Caminho onde estás?
E vagueio vago, tão só.
Sou peregrina nada mais...
Chame a mim caminho de volta,
Chame caminho...
Onde estás?...

SEM TEMPO


Donna Boris

Agora estou sem tempo.
Não posso ir e vir livremente,
Estou sem tempo de ser eu,
Mas, continuo crescendo,
Sem tempo...
Eu não posso parar.
Vou e não me canso,
Volto e não descanso
Sem tempo...
Minha esperança caminha
No sonho a realizar,
Eu continuo tentando
Sem tempo para parar.
A brisa vira vento,
O orvalho vira chuva,
E eu sem tempo...
Meus pensamentos voam velozmente...
Quero parar conversar com o mar,
Meu bem-te-vi escutar
E assoviar notas soltas...
Mas, sem tempo estou...
No jardim, o meu botão virou rosa,
Nem vi o seu desabrochar,
Seu perfume se perdeu no vento
E eu, sem tempo...
Sem tempo de olhar as belas coisas,
Sem tempo, de ver e ser...
NATUREZA.

SONETO À AMIZADE



Donna Boris


Gosto do gostar que me faça viva,
Da vida que me faz amiga
Do acaso que nos apresentou
Da amizade que se criou.

Das tristezas transformadas em sorrisos
Do papo claro, nos momentos precisos...
Na certeza do falar e escutar
A decisão... sem medo de errar.

No dia a dia vem a distância...
Tempo, não separa o que é sincero...
Há dúvida? Guardo e te espero,

Tempo aqui é arquivo, não apaga.
Vejo-te, ponho as fichas em dia...
E a amizade vai durar uma existência...

MOMENTO ESTRANHO

Donna Bóris


Há um não sei o que andando comigo
E um não sei quem me convidando a sair
Para um lugar que não sei para que lado fica...
Há algo de muito importante... num ar não poluído
Em que uma paz passeia... Como quem convida
A um sorriso tranqüilo... Onde qualquer coisa
Seja tão somente... Qualquer Coisa... Que não se vá
E se eternize num passo curto
E não paralelo ao meu EU.
Há ainda um inquieto de parar em algum lugar imenso
Onde braços seja vida
E onde a vida não tenha tempo de correr muito...
Que a simplicidade a complete numa alegria
Curta e infinita...
Há um misto de tudo que se confunde
Por querer que o hoje não vá embora...
E que a hora... dure mil anos...
Há um tempo em que me abismo e...
Não caiu nunca!
O nunca não existe e o abismo
Não tem fim...
Mas... Há também o tempo de ficar...
De ser feliz... De ver e viver e...
E sufoco e vou... Passos lentos... Até onde?...
Não tem fim... E não tem vida...
E há apenas um vulto que caminha a sombra do sol...
E há estrada... não há estrada...
E vai... Ilógico e sozinho... Um vulto no caminho...
E... Só o vulto... Eu...

BRANCA PAGINA

Donna Boris


Interrogue-me?
Pensas que a ti darei os meus pensamentos só por que estás branca?
Isso não inspira convite... Não te direi em escritos...
Sou agora o meu pensamento mais oculto... Ele?... Você não saberá...
Não o transcreverei aqui. Não insista!...
Em ti versos componho, musicas e sonhos...
Mas não te dou, a saber, o que me vai guardado no mais fundo do meu eu.
Não saberás Branca Página! Guarda a tua curiosidade...
Nem teimes brilhar me instigando a contar... Não o farei!
Coisas têm o ser... que não é dado a saber jamais.
Escrever... seria desnudar o meu espírito...não o faço.
Interrogue-me se poderes?... Use, pois de todos os teus artifícios...
Torne-se mais organizada. Alinhe melhor o que escrevo...
Faça ter contexto o meu texto... de nada adiantará.
Estou em contensão e não quero contagiar ou ser contagiada.
Assim...fica calma na alvura que guardas...
Deixa-me só dividir contigo aqui, as coisas que precisam correr o mundo...
Pousar em mãos não por muito tempo...
Divido o que vem com asas e bico de canário, colibri...
Ou com jeito de aquarela, no matiz do arco-íris da natureza na natureza...
Ou ainda com cheiro de orvalho... Jeito de criança traquina
E luz, que nem se explica o seu brilhar.
Fiz-me entender agora?
Ou será Branca Página... que ainda queres me interrogar?...

VERSO PERDIDO

Donna Boris


Busca o verso poetisa!
Que mundo é esse que não ver
Que deixa entre horas perder
Tanto sentimento em vão?
Busca o verso
Faz o reverso,
Mas não muda o teu coração...
Deixa a lágrima que rola
Lavar a dor do agora...
E brilhar o teu olhar.
Busca o verso, não desanima
Sei que tudo te ensina
A crescer um pouco mais...
E que a ferida recente
Tendo o exemplo da ostra
Retribuirás com pérolas
Como é costume em teu proceder.
Enxuga a lágrima, dá um sorriso!
E escreve cada vez mais bonito
Deixando voar o teu pensar.
Busque o verso, não tema
Escreve mais um poema
Sonhado ou revelador.
Não te preocupes com rimas
Pois quem o ler saberá
Que é só a tua alma, a falar...
A falar... a falar... a falar...