terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ROTEIRO

Donna Boris


Quero um roteiro que passe
Por lugares bonitos
Longe da “civilização”.
Se sou bicho selvagem?
Não sei...
Sou filha da natureza
Com toda convicção.
Amo cheiro de terra molhada
Ler suas “escritas” nos pés.
Águas das cachoeiras
E banho de igarapés.
Fruta que “sorri” na arvore
Colorida e iluminada.
O sol morna o entardecer...
A brisa em conversa com o vento
Mistura perfumes naturais
Dando característica
A hora sempre marcada.
Quero um roteiro sem “teiró”
Só luz...
Lindo seria
Ter nele a companhia
De alguém de onde “vim”...

sábado, 25 de dezembro de 2010

NEPENTE

Donna Boris


Taças vazias a dizer-me:
O que em mim vais colocar?
Olho o brilho do cristal
Na transparência... um desejo.
Pego a bandeja
Coloco salvas de prata
E as taças questionadoras.
Tem que ter requinte
Para o importante brinde.
Busco meu melhor sorriso
Feriado... o que fazer?
Convido-te a brindar com Nepente
A alegria de viver...
Tim tim!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

PONTE


Donna Boris


A estrada é diferente
No teu regresso do horizonte.
O que te ladeia
Não te limita
Vieste sabendo ver.
Paras na velocidade,
Transcende os pensamentos
Surpreender já não te surpreende
Virou costumeira a emoção.
E quando imaginam
Que o “nada” olhas
Estás a encontrar respostas
Às próprias indagações.
Caminhas no regresso do horizonte...
Em cada passo algo adormece,
Pura defesa da evolução.
A lembrança fica guardada
Aparecerá no momento preciso
Que fizer sentido
A resposta buscada.
No tempo breve
Que parece longo ser,
Voltar para casa
O inconsciente pede...
Na saudade que vez por outra aparece
A conversar com o silencio e o sozinho.
E a “ponte” que liga
Os “mundos” que poucos conhecem,
A luz estará
Esperando o teu caminhar
Para além do horizonte
Rumo à estrela
Da qual vieste.

PEDIDO DE NATAL


Donna Boris


Pisca a neve no pinheiro.
O boneco de chapéu esquece
A meia com o pedido,
Não sabe onde colocou.
Correntes de luzes brilham
Para sinalizar a estrela...
Guia os pedidos nas cartas
Presentes que vão depositar.
Papel com enfeite bonito
Tudo é branco e dourado
Verde, vermelho e prata,
Luz e Paz.
Mãos que se encontram
Abraços que calam saudades
Tudo é novo, mesmo tendo idade...
Luzes piscam no pinheiro
O boneco de neve sorri.
Presentes sob a arvore
Brilham pelas luzes.
É quase perfeição...
O boneco de neve não usa meias!
A lareira em foto
Ou formação ilusória
Como é bela a história
Que guarda o Natal.
Faço um pedido ou refaço
Na sintonia do momento...
Plante em cada coração
Paz, amor, fé e perdão
Para todos os dias do ano
Ter o brilho do Natal.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

ARANHA


Donna Boris


De olhos fechados vagava
Pausadamente na mente.
Um momento desses
Que precisamos ficar só
E conversar com o próprio eu.
Com o pé colocado sob a mesa
Em posição costumeira
Descansado na prateleira
Junto ao transformador.
Susto me remete a realidade
Apenas uma agulhada
Cãibra pensei...
Há tempo ali estava.
Logo se formou um ponto
E vermelho foi ficando
A dor, aumentado...
À noite a revelação:
“Picada de aranha”
Surpresa: Venenosa?
E a confirmação.
Na busca por encontrá-la
Para certeza ter da espécie,
Vasculhou-se meu cantinho
E lá estava ela...
“Aranha marrom”
Assim é popularmente conhecida
E tem uma cor tão bonita
Que até parece amistosa.
Nada, apenas uma “máscara”
A esconder o que “esconde”.
Momentos seguintes e
Horas, mais dois dias,
Esses, não vou contar.
Somam-se ao meu
“Aprendizado pessoal”
Não existe acaso...
Ainda estou em repouso
O pé voltará lentamente a sua função.
O médico disse que é natural
A estranha coloração que tem a pele.
A dor diminuiu, ainda não sumiu.
É mesmo teste de paciência e fé.
Nasci guerreira, sabe bem o meu Criador.
E não vou decepcioná-lo...
Terei boa nota e mais esse aprendizado
Somado na caminhada da vida.
Pude ver uma coisa muito bonita
Em quantos corações
Eu moro de verdade.
Obrigada aranha...
Talvez eu estivesse caminhando
Rápido demais...