Donna Boris
De olhos fechados vagava
Pausadamente na mente.
Um momento desses
Que precisamos ficar só
E conversar com o próprio eu.
Com o pé colocado sob a mesa
Em posição costumeira
Descansado na prateleira
Junto ao transformador.
Susto me remete a realidade
Apenas uma agulhada
Cãibra pensei...
Há tempo ali estava.
Logo se formou um ponto
E vermelho foi ficando
A dor, aumentado...
À noite a revelação:
“Picada de aranha”
Surpresa: Venenosa?
E a confirmação.
Na busca por encontrá-la
Para certeza ter da espécie,
Vasculhou-se meu cantinho
E lá estava ela...
“Aranha marrom”
Assim é popularmente conhecida
E tem uma cor tão bonita
Que até parece amistosa.
Nada, apenas uma “máscara”
A esconder o que “esconde”.
Momentos seguintes e
Horas, mais dois dias,
Esses, não vou contar.
Somam-se ao meu
“Aprendizado pessoal”
Não existe acaso...
Ainda estou em repouso
O pé voltará lentamente a sua função.
O médico disse que é natural
A estranha coloração que tem a pele.
A dor diminuiu, ainda não sumiu.
É mesmo teste de paciência e fé.
Nasci guerreira, sabe bem o meu Criador.
E não vou decepcioná-lo...
Terei boa nota e mais esse aprendizado
Somado na caminhada da vida.
Pude ver uma coisa muito bonita
Em quantos corações
Eu moro de verdade.
Obrigada aranha...
Talvez eu estivesse caminhando
Rápido demais...

