terça-feira, 24 de agosto de 2010

FALANDO COM O SILENCIO

Donna Boris
 
O sono parece querer tomar conta dos meus olhos...
O convite é tentador: Vai dormir!
Eu, teimosa por excelência, não obedeço.
Dormir... só se fosse com uma certeza:
Ter o sonho dos meus sonhos!
A resposta não vem...
Lembro... faz muito tempo
Ele vem acalentando minha alma,
Que persistente!
Já virou até razão de viver.
Quem sabe um dia cansado
Tome a decisão: tornar-se realidade!
Que belo sair do subconsciente ao consciente
Na mais pura expressão da felicidade...
Ah! Por que me acompanha por toda a vida
Sem desistir de mim?
Quero-o realizado
No meu dia a dia presente
E não apenas existente no meu silencio
Onde eu posso então
Conversar, com o meu sonho...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

POEMA NU


Donna Boris


Não vês... e eu não me assusto!
Ofereço-te em minhas mãos,
Parecem vazias...
Fecha os olhos... agora vês?
É do que estão cheias
Mas, imperceptível...
E seria... quando apenas o nada... se vê.
Aí sim... vazias estarão.
É como estrada com direção
E placa de identificação
Tão simples... a quem sabe ler.
Estrada... onde o nada sumiu.
Direcionado, o vazio o foi procurar.
Mas o nada se escondeu em grande vácuo
Preenchendo-o de invisível compreensão.
E nas mãos trago, perfeito como nasceu
Sem vestis que o disfarce...
Imaculado e puro
Assim é o meu amor!


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

OLHOS QUE VOAM


Donna Boris


Pousados na flor
Os olhos buscavam
Alimento perfumado
Na cor da ternura.
Suave criatura
De rara beleza
Arte da natureza
E do pintor Criador.
Que no silencio voante
Assinou a Sua presença
Em olhos planadores...
Nas asas da borboleta.

domingo, 1 de agosto de 2010

EU!

Donna Boris

Eu... ser estranho
Universo misterioso

Tão cheia de soluções
Entre tantas interrogações.

Ante um mundo que cobra
Mais que oferece
Outono a outono renasço...

Invisível... visível
Na caminhada sem fim.
Calma... tempestuosa
Ofuscante... reluzente
Não fui... sou...
Demolição construtiva
Invasão documentada
Cerro de liberdade
Imaginação real.
Ondulação retilínea
Nave de um planeta “X”
Adepta dos sentimentos
Lua presente
Marte em “água”
Estrela menina.
Nasci e já parti... penso!
Tempo... qual é o meu tempo?
Eu... “em sempre”... amo a vida!!!

terça-feira, 27 de julho de 2010

VIDAS PASSADAS

Donna Boris




Penso agora no “ontem” que vivemos...
Se tanta certeza temos,
por que esse encontro tanto demorou?
A resposta veio em uma noite
cheia de estrelas quando nos reencontramos.
E saber que nos sabemos... foi tão fácil
pois a nossa sintonia que assustava...
dizia que o nosso tempo ainda vive.
Formais, como só a nós cabíamos ser,
passo a passo nos revelávamos
...juntando um passado ao presente.
Do estranho a verdade. E pensar era fácil
Eu sou o teu pensamento, és o meu!
Se pensas... Eu escrevo.
Se penso... Tu escreves.
A vida nos faz ser UM... Únicos.
Não me aflige os nossos olhos
não se encontrarem agora... Ainda!
Temos uma paz sábia
que espera o momento certo,
Na certeza do não perder.
E como perder poderíamos
se a vida que nos uniu... não é daqui,
é de muito... muito além?
E vivemos acompanhados à distancia...
Se na vez agora a historia que se faz...
Não seja de nos separarmos em tempo precoce
e sim de vivermos a sabedoria que guardamos...
... e não envelhecermos nunca mais... sós!!!


.

TEMPO


Donna Boris




Teimoso,
Mais que criança
que não mede conseqüências em seus atos...
Assim é o tempo do meu tempo.
Ensiná-lo,
Sábio não seria de minha parte
já que aprendo com ele.
Mas, deixe-me dizer:
Não descubro o que me vem no seu programa de aula.
Está tão repetitivo que se torna cansativo.
Pensei mesmo em mudar meu curso
Para ver se ele muda o discurso e se faz melhor ouvir.
Tempo... tempo... ah tempinho!
Parece um pequeno peixinho com medo de afogar-se
Na imensidão do grande mar...
As correntezas que escolhe para nadar...
Estão sempre na mesma calmaria...
Assim fica difícil ir em frente...
O meu barquinho tentando segui-lo, fica a deriva.
Tenho o olhar fixo no horizonte...
Por isso, não me deixo acompanhá-lo
a lugar que não leva à destino algum.
Converso com o vento... que em silencio...
Pede-me paciência para com o tempo...
Vejo o que passa ao meu lado em paralela eqüidistante
E não sei se me faço convergente a ela.
A vontade fica a me chamar...
Falta-me o aval do tempo.
Mas, sei que saber o momento
não é só dele a decisão...
A firmeza precisa tem que vir...
Ainda não são seguros os passos do tempo...
Nem mesmo são claros os caminhos.
Firmeza vem na clareza da luz que o pensamento,
Já não guardando mais medo...
sabe ser então o momento justo do tempo...
Ele, o momento, vai chegar...
Aí, claro o pensamento,
o caminho será de luminosidade chamativa...
Que só terá um nome... VIDA.

DECISÃO


Donna Boris


Havia um ninho em uma árvore.
Por coincidência do destino
ambos estavam em extinção...
Árvore e pássaro!
O senhor da natureza, observador detalhista,
procurando entender estes destinos,
já que sua é a decisão, questionou-se:
Por que deve esta árvore deixar de existir
e este pássaro calar o seu cantar?
Árvore de bons frutos, sombra aconchegante
e suave aroma a perfumar o vento.
Nunca se negou em ser morada para as aves,
então por que? E o pássaro?
Bela plumagem colorida
a tingir os céus em seu vôo.
Seu canto, sinfonia de notas soltas ao vento
a melodiar a vida.
Companhia cativa do nascer e do por do sol.
Por que têm que desaparecer?
Nessa altura da questão,
o observador da natureza começou a analisar
o grande destruidor. Ficou pasmo!
Pensou quase sem “ar”:...
Tudo eu lhe dei, e o que você fez?
Só destruiu... Não lhe dói?
Por que querer ser grande, maior do que pode ser,
o senhor de tudo?
Parar o mar, desviar o rio.
Derrubar o que não plantou,
matar o que não ajudou a nascer...
Por que querer competir Comigo?
Por que não ser só você?
Triste, o Senhor da natureza decidiu:
Venham árvore e pássaro,
esse lugar não lhes cabe mais..
A Mãe Natureza irá responder... E...!