terça-feira, 20 de abril de 2010

“MetAmorFóssil”

Donna Boris

Pelo desuso do sentimento

Estou abraçando uma nova profissão.

Teimosa de nascimento,

Desistir não faz parte do meu eu.

Como gosto da solidificação

Mesmo no que é considerado

Abstrato,

Vou encontrar a rocha

Em que o fóssil

É guardado...

Mapearei “milimetricamente”

Com auxílio da bússola,

Da rosa-dos-ventos

E garimparei cuidadosamente.

Amor fóssil,

Há anos luz buscado...

Fazendo inteiro o espaço

Do coração no vazio.

De autodidata hoje sou graduada

Em “Arqueologia Sentimental”,

Com especialização:

“MetAmorFóssil”.

(O titulo do poema foi criado por meu irmão Hugo)


Hífen

Severo&Donna


Não parece separar.
Não afasta, percebi.
Um traço pode ligar,
palavras que escrevi:

Pode ser “A Flor-Mulher”,
pode ser “Amor-Perfeito”
ou quem sabe, “Bem-me-Quer”,
bem ligadas, deste jeito!

Versos são encantamentos
Dos que vêem a vida
Fluir, na ponta dos dedos...

Por amor a poesia
O hífen se fez:
Dois poetas-um soneto!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

“ETÉREA”


Donna Boris


Vou sublimar
Em aroma reluzente
Misturar-me, confundir-me...
Sem toque... só o sentir
Observar a gota
Silenciosa em
afabilidade desmedida,
Fragmentar...
Em tempo,
acolho só um átomo,
tesouro, oculto.
Fecho-o na alma.
Partícula da gota
sobre imaginária pétala,
em relicário, guardada.

MADRIGAL


Donna Boris


A sede de caminhar
Hoje despertou mais forte.
Não quero sapatos nos meus pés
Sentir a terra me faz mais viva.
Soltos ao vento
O meu cabelo brinca com ele,
Enquanto escuto os sonidos
Das risadas...
Leve, não deixo marcar
Onde piso.
O meu olhar vislumbra
Um diamante na folha.
Gota do orvalho,
Lágrima da natureza
Que recolho carinhosamente...
Com ela, faço o sinal da cruz,
E sigo... abençoada pelo Criador.

RETORNO


Donna Boris


Alguém em casa?
Escuto passos
vindo ao meu encontro...
quem será?
Quem me virá abrir a porta
Aconchegar-me em teu abraço
Quem será?
Sinto o perfume que se aproxima
A passada que estranha não é
Por que a demora?
Talvez pensando:
Quem será... que palavras vou dizer?
Ou... a está hora! Quem bate na porta?
Não sou sujeito indeterminado...
Tenho identificação e predicado
Objeto direto que responde: “o que?”
Se demoras muito tempo
O calor esfria
E saudade que fala... cala
O objeto passa a indireto
E a pergunta: “a quem?”

MINHA CIDADE 461 ANOS E TÃO ENCANTADA



Donna Boris


Jovem faceira
Ao descer ladeiras
Menina encantada
Em rodas de samba... rodar.
Dança tão leve em pele morena
Branquinha como leite
E negro ônix.
Que importa... se aqui mora a magia
De ter no rosto o sorriso feliz
E felicidade de todos os dias?
Amém minha terrinha adorada...
Quem chega te sabe diferente...
No por do sol, na tua gente...
No calor que contagia de paz e luz.
Há encantos que palavras não descrevem
E sentimento raro só no sentir.
De todos os deuses e deusas és!
Até se fez em dois andares
Como mente e coração
Razão e sentimento
Para aqui ficar e te amar.
Jovem aos 461 anos,
Que muitos vivas e todos mais...
Com o mesmo brilho que brilha em tantos
Com o mesmo encanto a fabricar sonhos
Como a musica no ar que respiras
Em teus pulmões tão musicais...
Obrigada por me deixar aqui nascer!
Por me ensinar a caminhar e entender
Que a verdadeira magia da vida
É ter os braços abertos
A todos receber
Com o mesmo amor e a mesma paz.
Salve salve... Salvador!!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

PensAdor


Donna Boris


Livre liberdade
Ir, parar, brincar.
Ar escolher... respirar
Arvore bela... cama dormir.
Nada fiz à natureza,
Sou parte integrante da sua
Natureza nata, assim sou...
O meu ir e vir foi castrado
Vejo-me agora cerrado
E viciado é o ar que respiro.
Da bela arvore... lembrança!
Na cama fria... chão
Frio faz o meu sonhar...
O que fiz para aqui estar?
Indago ao Criador.
No silencio enquadrado do quadrado
Penso a dor...
O que será que pensa... se é que pensa?
Quem aqui me colocou?!