Donna Boris
Interrogue-me?
Pensas que a ti darei os meus pensamentos só por que estás branca?
Isso não inspira convite... Não te direi em escritos...
Sou agora o meu pensamento mais oculto... Ele?... Você não saberá...
Não o transcreverei aqui. Não insista!...
Em ti versos componho, musicas e sonhos...
Mas não te dou, a saber, o que me vai guardado no mais fundo do meu eu.
Não saberás Branca Página! Guarda a tua curiosidade...
Nem teimes brilhar me instigando a contar... Não o farei!
Coisas têm o ser... que não é dado a saber jamais.
Escrever... seria desnudar o meu espírito...não o faço.
Interrogue-me se poderes?... Use, pois de todos os teus artifícios...
Torne-se mais organizada. Alinhe melhor o que escrevo...
Faça ter contexto o meu texto... de nada adiantará.
Estou em contensão e não quero contagiar ou ser contagiada.
Assim...fica calma na alvura que guardas...
Deixa-me só dividir contigo aqui, as coisas que precisam correr o mundo...
Pousar em mãos não por muito tempo...
Divido o que vem com asas e bico de canário, colibri...
Ou com jeito de aquarela, no matiz do arco-íris da natureza na natureza...
Ou ainda com cheiro de orvalho... Jeito de criança traquina
E luz, que nem se explica o seu brilhar.
Fiz-me entender agora?
Ou será Branca Página... que ainda queres me interrogar?...

