sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PAINEL

Donna Boris

A tela existe...
Vejo-a branca e busco cores para dar-lhe vida...
Encontro caixas e caixas de tintas...
Combinadas... os matizes não me agradariam...
Volto à tela...
Pura... quase sublime na sua composição do nada
Ela chega a me interpelar:
-A arte é coisa difícil...
-Cores fortes ou frias... não dariam o que procuras...
Pergunto-me: O que vai compor o meu painel?
Olho a tela mais uma vez...
A serenidade do rosa sobre o branco
Significaria que busco uma paz amena...
Combinado ao azul celeste
A minha caminhada na procura da felicidade
Seria bem clara...
Vou ao pincel, dou então riscos verdes e...
Descubro que guardo a esperança
De encontrar a felicidade serena
No branco da paz na tela...
Inacabado... o meu painel!...
A palheta da vida não me ofereceu matizes para compô-lo
Lindo... Imenso!
São dois riscos verdes de esperança infinda...
Mas esse verde é de uma cor tão linda...
Que me julgo artista do painel
De uma só cor...


AO PENSAMENTO


Donna Boris


Diga nobre pensamento:
Por que vivo tão sozinha?
Não há lugar... nem tempo,
Nem ninguém que complete o que sinto.
Parece que... como já escrevi outra vezes e...
Como nada mudou... continuo sozinha.
Acompanha-me os meus sonhos... os meus ideais
A minha esperança...
Vou lutando por tudo... em que acredito...
Na natureza... na vida... nos animais...
Nos seres sozinhos... é, nos seres sozinhos.
Nos seres iguais a mim.
E de tanto ser só... já se acostumaram.
Ser sozinho... não é ser solitário...
Ser sozinho... é aquele que não encontrou
A sua companhia.
Com a coragem do pensar e agir só....
O ser sozinho... não tem tempo para a solidão...
Calado... vai compondo os versos da sua isolada alma.
Quando sorrir, o sorriso é enigmático...
Quando fala... são composições de frases que
Aos menos avisados... não fazem sentido...
É ele, o sozinho... mas tão sozinho
Que às vezes até duvida... que está... SÓ!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PENSANDO EM SILENCIO

Donna Boris

Não sei por que me visitas
Querida amiga lembrança,
Volta a mim a tua inocência,
Tudo se torna belo.
Não busco nada na paz em que
Rodeia-me, tudo que faz bem,
É a tua visita.
Vejo-te, chega quase ser uma oração.
A melodia penetra nos meus ouvidos,
Como se fora o cenário dessa amada lembrança.
Oh criança meiga e pura,
Não me queira como ser humano,
Mas me beneficia com o teu carinho.
Oh pura criatura volta a mim, renova-me,
Faz com que a vida tenha sentido.
Cuida-me nesse teu carinhoso abrigo,
Devolve-me a esperança.
Faz-me crescer com a tua chegada,
Completa-me nesta falta e,
Quando por fim eu me for,
Deixe que eu seja a lembrança,
Aí então, amada criança,
Vela póstuma o meu amor.

TRISTEZA

Donna Boris

A tristeza hoje veio me visitar.
Chegou com o seu sorriso obscuro, a voz rouca e disse-me:
A visita é rápida, logo vou embora.
É sempre estranho quando recebo a visita desse estado de espírito.
Vez por outra, ainda vem acompanhada da amiga Melancolia
Querendo longa hospedagem.
A minha educação não permite ser indelicada.
Suavemente digo que estou muito ocupada,
Peço desculpas tento sair...
Mas... não dispenso o aprendizado e,
Na pausa analise: O que a convidou?
Reviso as fichas do meu arquivo MENTE,
Vou à outra gaveta e revejo O CORAÇÃO,
Não posso dar como concluída a minha busca,
Ainda falta A RAZÃO.
Sento. Trabalho e mais trabalho.
Anteponho, sobreponho, e qual a minha surpresa...
Escondida no fundo da quarta gaveta do meu arquivo uma ficha,
Nela a observação:
TRES DIAS SEM SORRIR.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010



CONTRADIÇÃO


Donna Boris


Você foi o alô...
E eu não cheguei a dar
Você foi o amigo...
E eu não o conheci.
Você foi o pensamento...
E eu não cheguei a pensar.
Você foi o momento...
E eu não o vivi.
Você foi a ternura...
E eu não a tive.
Você foi a musica...
E eu não a ouvi.
Você foi a canção...
E eu não cantei.
Você foi minha rima...
E eu não usei.
Você foi a idéia..
E eu não criei.
Você foi o sono...
E eu não dormi.
Você foi o sonho...
E eu não sonhei.
Você foi a oração...
E eu não rezei.
Você foi a alegria...
E eu não sorri.
Você foi... os meus olhos...
E eu não enxerguei.
Você foi... o instrumento...
E eu não toquei.
Você foi o filme...
E eu não assisti.
Você foi a brincadeira...
E eu não participei.
Você foi a festa...
E eu não dancei.
Você foi o tema...
E eu não fiz o show.
Você foi o sol...
E eu não fui a praia...
Você foi o jardim...
E eu não fui a flor.
Você foi tudo...
E eu... não fui nada.
Mas...
Eu fui o amor...
E você... não notou!