terça-feira, 4 de outubro de 2011

PRECE

Donna Boris

 
Hoje despertei lembrando
O filho que tanto amou a natureza
E entendia a linguagem
Dos anjos especiais
Que chamam de animais...
Seres que no silencio
Falam, na forma do olhar...
E cantos que colorem a vida
Elevando-nos aos céus, pela beleza.
Tão perfeita é a criação...
Se um dia... homens vazios
Parassem por um instante
A observar tais criaturas
Desarmados de ressentimentos
Veriam quão sábios... são.
Cantam agradecendo a vida
A liberdade do viver
São semeadores naturais
Conservando a beleza da natureza.
Cada um tem sua particularidade
Que se aprendida pelos falantes humanos
Melhores seres... com certeza seriam.
Eles não acumulam tesouros materiais
Nem transportam bagagens.
Estão sempre completos
No que precisam ter
Nascem sabendo ser
E que beleza... são.
Deus... pouco peço
Pois me dais o que mereço
Sempre que acordo, agradeço...
O que repito antes de dormir.
Mas hoje... atende a minha prece
Que a humanidade
Encontre o caminho da Paz
Saiba viver na fé
Cultive o amor sem preconceitos
Pratique o respeito
E... Salve os animais.
Muito obrigada... Amém.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

EM MIM


Donna Boris


Há musica na lembrança
Saudade que agora canta
E faz vivo o momento passado.
Pego-me sorrindo...
Brincadeira corriqueira
Que enfeitava a vida
Tempo que nunca apaga...
Olho a estrada percorrida
Lembrança das minhas lembranças
A musica na surpresa
Faz-me voltar...
Guardado dos meus guardados
Arquivo de vida...
Observando o momento
Faço um descobrimento
Unindo pontos distantes.
A lembrança que visita
Traça uma linha sem fim...
Na brincadeira que alegrava
Uma presença não faltava
E agora fui descobrir
Que o menino que desenhava
Enquanto a musica tocava
Tinha traços que reconheço
Estava no meu avêsso
A eterna lembrança.
O menino hoje
Desperto no arquivo
E sempre presente no caminho
Morava todo o tempo
Em mim...
Agora sei:
Menino... menino
És tu.

domingo, 25 de setembro de 2011

AO QUE É BELO

Donna Boris.


Descobri a beleza que havia no meu vazio.
Analisando e pesquisando o que ali continha,
Encontrei-me sorrindo...
Nunca vi um vazio tão cheio...
É tanto o que ele compondo um
Maravilhoso nada guarda que,
Fitando esse vazio, me completo.
A minha linda visão da arte
No incolor e abstrato painel retrata...
O infinito do vazio na mais completa realidade.
Sábio vazio... que de tão mago
Não se permite encher.
Acho que ele tem mesmo é receio...
É... encher... enche...
Assim sendo, deixe esse meu vazio sozinho
E, pintando os seus painéis,
Usando gotas de água transparentes
Só tingidas pelos raios do sol.

domingo, 4 de setembro de 2011

INESPERADO DESPERTAR

Donna Boris


Colocou a mão no meu ombro.. lentamente
Para que não acordasse no susto.
E foi dizendo-me:
Desperta
Precisas fazer planos para o futuro!
Escutei as palavras que pareciam ser orientadoras
Mas... não eram.
Ainda com sono
Fui falando baixinho:
O dia só acaba de despertar
O sol ainda nem brilha por inteiro
E já me pedes para fazer planos... futuros?
Tudo é consequencia de atitudes, pensamentos
Ações e reações do agora...
Cuido bem do meu tempo
Meu presente... vivo
Pois me foi enviado por um Ser muito Especial.
Minha responsabilidade é com o “hoje”
Tempo real para dizer: Não e Sim
O talvez é dúvida... a insegurança bambeia
Assim vou cuidando dos meus “bonsais existenciais”
Que a cada dia me presenteia
Com uma pequenina flor de alegria
Ou uma nova folha com linhas marcantes.
São 24hs horas que recebo todos os dias
Em bela embalágem a serem vividas
Valorizando cada décimo de segundo.
Futuro? Eu não sei...
Acordaste-me e nem me disseste o teu nome...
Perdeu-se a olhar a claridade convidativa
Que o dia fazia...
Tentou encontra-se no espelho refletido
Mas... só uma turva imágem existia
Eu... continuava esperando ouvir o seu nome.
Depois de longo silencio
Desolado... ele falou:
Chamo-me: Amanhã!
E eu disse:
Conversaremos quando chegares...
Levantei sorrrindo
Dei a mão ao presente dia
E... saímos a viver.



sábado, 23 de julho de 2011

TOTAL

Donna Boris


Abrigo-me, em meu favorito lugar
Entendo porque me cabe inteira.
O calor protege-me
E eu, nada mais penso.
Só tua respiração me acalenta...
Entrego-me ao sonho
Minha realidade...
És o vasto do sem limite.
Presa... no livre sentimento
Da divisão na unidade
Sou vida completa.
No pequeno espaço
Guardada em tuas mãos
Meu melhor mundo
Liberto... liberta.

sábado, 16 de julho de 2011

BIOPOEMA

Donna Boris


Não rimava e escrevia
Aos nove anos o meu pensar.
Era comum nessa idade
Criança brincar com bonecas
Eu... preferia os animais.
Com eles dialogava silenciosamente
O que em meus versos
Formava... formando
Estranheza não entendida
Aos que perto de mim... vivam.
Amei cedo a calma
Que me trazia a reflexão
Sem muito perguntar
Respostas encontrar
Da simples observação.
A vida seguiu seu curso
E nele, o meu desenvolvimento.
Cedo, veio o casamento
Cedo, me tornei mãe
Presente divino do ser Criador
Uma vida nas mãos
O maior amor da natureza
Medalha de mulher abençoada
E minha poesia ficou mais colorida
Porque a vida ficou mais viva
E eu mais completa.
Na precocidade crescida
Vim então, entender a infância
Vendo meu filho crescer.
Diploma na mão... trabalho
Caminho sem tempo disponível
A poesia adormeceu...
Meu verso calou...
A responsabilidade dobrou.
O Criador resolveu
Alegrar mais minha vida.
Aos vinte três anos
Um novo presente
Intensificando a Luz na minha estrada
E eu pudesse levar em cada mão
Uma vida... nesse meu passar por aqui.
Da felicidade do momento
Em meio a tanto contentamento
A revelação: por uma fragilidade
Do meu organismo humano
Ali ficaria limitada
A maternidade biológica para mim.
O silencio.... que me trazia entendimento
Não foi diferente, e o pensamento
Na calma encontrou Paz.
Meus filhos saudáveis
Enfeitavam e preenchia
A minha vida do melhor
Que uma mãe pode querer.
Momentos difíceis tive
Seria comum se relatasse
Mas... esse arquivo eu entreguei
Ao esquecimento no caminho.
Segui apenas com as lições aprendida
E que aprendo... pois não parei de crescer.
Hoje... meus meninos, homens são
E já caminham seus próprios caminhos
Pautado no melhor
Que eles podem ser.
Eu os observo... cuidadosa
Para não interferir.. na liberdade
Do aprendizado.
E os meus versos... quando voltaram?
É o que pode estar pensando
Quem agora me lê.
Deus é tão perfeito
Que tornou minha estrada
De formação profissional... difícil.
Por um desses momentos
Que a realização bate
De frente com a felicidade...
Já não me alegrava o que fazia
Quando muitas portas se fecharam...
Deus... na Sua infinita sabedoria
Fez-me lembrar
Onde os meus olhos brilhavam
A cada criação que lia.
Abriu sobre mim uma nuvem azul
Envolveu-me em um abraço
De rosa ternura
E devolveu-me à poesia.

MEU SEMPRE “HOJE”

Donna Boris


Feliz segue
A minha felicidade
Embalada na tua voz
E musicada ao som do teu sorriso.
Alegre segue
A minha alegria...
Por tua existência
Fez-se sacerdócio eminente.
É perene a minha esperança
Que brinca e cresce
Nessa comum caminhada.
Nada dista...
Até a nossa saudade
É perfeita.
Eu, depois de ti
Serei sempre... Nós.