sábado, 16 de julho de 2011

BIOPOEMA

Donna Boris


Não rimava e escrevia
Aos nove anos o meu pensar.
Era comum nessa idade
Criança brincar com bonecas
Eu... preferia os animais.
Com eles dialogava silenciosamente
O que em meus versos
Formava... formando
Estranheza não entendida
Aos que perto de mim... vivam.
Amei cedo a calma
Que me trazia a reflexão
Sem muito perguntar
Respostas encontrar
Da simples observação.
A vida seguiu seu curso
E nele, o meu desenvolvimento.
Cedo, veio o casamento
Cedo, me tornei mãe
Presente divino do ser Criador
Uma vida nas mãos
O maior amor da natureza
Medalha de mulher abençoada
E minha poesia ficou mais colorida
Porque a vida ficou mais viva
E eu mais completa.
Na precocidade crescida
Vim então, entender a infância
Vendo meu filho crescer.
Diploma na mão... trabalho
Caminho sem tempo disponível
A poesia adormeceu...
Meu verso calou...
A responsabilidade dobrou.
O Criador resolveu
Alegrar mais minha vida.
Aos vinte três anos
Um novo presente
Intensificando a Luz na minha estrada
E eu pudesse levar em cada mão
Uma vida... nesse meu passar por aqui.
Da felicidade do momento
Em meio a tanto contentamento
A revelação: por uma fragilidade
Do meu organismo humano
Ali ficaria limitada
A maternidade biológica para mim.
O silencio.... que me trazia entendimento
Não foi diferente, e o pensamento
Na calma encontrou Paz.
Meus filhos saudáveis
Enfeitavam e preenchia
A minha vida do melhor
Que uma mãe pode querer.
Momentos difíceis tive
Seria comum se relatasse
Mas... esse arquivo eu entreguei
Ao esquecimento no caminho.
Segui apenas com as lições aprendida
E que aprendo... pois não parei de crescer.
Hoje... meus meninos, homens são
E já caminham seus próprios caminhos
Pautado no melhor
Que eles podem ser.
Eu os observo... cuidadosa
Para não interferir.. na liberdade
Do aprendizado.
E os meus versos... quando voltaram?
É o que pode estar pensando
Quem agora me lê.
Deus é tão perfeito
Que tornou minha estrada
De formação profissional... difícil.
Por um desses momentos
Que a realização bate
De frente com a felicidade...
Já não me alegrava o que fazia
Quando muitas portas se fecharam...
Deus... na Sua infinita sabedoria
Fez-me lembrar
Onde os meus olhos brilhavam
A cada criação que lia.
Abriu sobre mim uma nuvem azul
Envolveu-me em um abraço
De rosa ternura
E devolveu-me à poesia.