terça-feira, 27 de novembro de 2012

O DRAGÃO DE OITO CABEÇAS

Donna Boris


Ocupada, no espaço reflexivo
Senti a presença
Que nem de longe era amistosa.
Chegou bem perto e
Respirei buscando o pensamento
Que, sendo certo,
Afastaria a indecisão para argumentar...
A imagem era assustadora!
Oito cabeças que em sete, fogo expelia...
Uma, parecia diferente.
Além de não cuspir fogo
Também não tinha olhos avermelhados
E foi aí que... comecei
A tentar entender...
Uma única cabeça
Que medo não transmitia
E sim, medo parecia ter.
As vezes fechava os olhos
Para não serem atingidos
Pelas labaredas fumegantes.
Algo amargo pairava ali.
Aquela cabeça tinha sentimento.
Pausa feita pelas demais,
Pude olhar bem no fundo dos seus olhos
Eram tristes...Uma cabeça fora do corpo
Ou talvez... a única cabeça pensante
Ali... despertei a esperança.
Se o bem tem luz que contagia
Tentei comunicação telepática.
Para minha surpresa... resposta recebi.
E logo mais uma cabeça
Tentou comunicação.
Percebi que era responsável
Pelo sentido da visão
E os movimentos ficaram
Menos agressivos...
Seria cada cabeça
Responsável por um sentido?
Fiz a mim a indagação
Mas... a pensar fiquei...
Cinco são os sentidos
E oito cabeças existentes.
Se lógica tivesse o meu raciocínio
Uma cabeça seria o sentimento
Uma responsável pelo pensamento
E a outra pela razão...
Oito funções encontradas.
O dragão parou
As cabeças ficaram alinhadas
Como se o destino fosse desvendado
Olharam-se entre si.
O meu espanto foi quase paralisante
Vendo a transformação
Que bem a minha frente se fazia.
Sonho! Pensei...
E se sonho foi
Despertei a tempo
E ainda pude ver
Sua pegada marcar a grama
Antes de alçar vôo
Em um belo bater de asas
Totalmente livre...