segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

RETORNO DO CUITELINHO

Donna Boris.


Chegou aqui mansamente
Pequenino de asas azuis fluorescente
Com lindo e perfumado botão
Que no bico trazia docemente.
Disse-me que era de um amigo...
Entregou-me, descansou um pouco,
E agora está retornando.
Como prova de agradecimento e amizade
Ele leva com ternura
Uma muda da minha rosa preferida.
Plante-a no teu jardim,
Deixe-a florir...
Porque aqui ficará guardado
Entre paginas do meu livro
O botão por ele trazido
De um amigo tão estimado...

O TEMPO E EU

Donna Boris


Ando tão sem tempo
Que gostaria muito de pedir ao tempo
Que tempo livre me desse
Para que eu tivesse mais tempo
De tempo ficar com os meus amigos.

Mas o tempo me falou
Que tempo do tempo virá
E logo tempo... tempo vai ter
E sem tempo marcar
Muito tempo poderei ficar
Saudades... do tempo aliviar...
Estando outra vez com vocês.

(Poema dedicado aos meus amigos)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

SEMENTE

Donna Boris

 
Peguei carona
nos olhos do meu pássaro.
Contente, o céu parece
só meu... ser.
Não é egoísmo nem possessão.
São asas da liberdade ilimitada
Que falam na Luz do infinito azul.
Ave pequenina “radar” do Criador.
Transcende a barreira visual
Deixando a visão real... existir.
A cor do espaço não tem sombra.
O corpo que move no deslocamento
Transporta apenas
Na bagagem... sentimento.
Nos olhos do meu pássaro
Semeio em porções fracionadas
O meu estoque trazido...
Sementes em versos
Que voando... escrevo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

ALMA ROSA

Donna Boris


A igualdade da diferença
É que faz todo segredo.
Se quiser manter-se bela
Onde estiver
Por onde passar,
Não pode perder a ternura
Que deve estar sempre presente.
O brilho de ser dócil
Guardar no “tom” o carinho
Do saber falar
E do ouvir.
Competir com inteligência
Saber mostrar
Sem mandar.
Transbordar das mãos no “toque”
A energia trazida
Que a fez ser escolhida
Para nascer... feminina.
Guardar o espírito da juventude
A pureza da infância
No mapa do rosto... a maturidade.
Sabedoria do não perder
O que a fez vir
Com Alma Rosa...
Mulher.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

DESABAFO DO BULE DE CHÁ

Donna Boris


Fui descartado!
Da minha família
Só lembranças...
Em tardes longínquas,
Era eu a atração esperada
No chá que trazia
A hora sempre marcada.
Conversas animadas,
Declarações, planos,
Revelações...
Risadas, choros,
Eu sempre estava presente.
Em algumas tardes
Era o confidente
Fiel, ouvinte dos segredos,
Guardava...
Hoje, sou peça ultrapassada.
Perdi lugar para a modernidade.
Raras são as reuniões
Nos finais das tardes.
A hora do chá
Em que se tornou?
Esquecido em lugar
Silencioso e esperançoso,
Aguardo que vejam
A minha beleza...
Quem sabe possa figurar
Em uma mesa,
Com alegria que um dia tive?
Passando por mim,
Vi em alguém o brilho no olhar...
Foi amor à primeira vista...
Citou minha cor mais bonita,
Apaixonou-se!...
Meu espanto quando ouvi:
Eu quero!
Seguido do comentário
Que belo eu ficaria
Sobre uma toalha de renda delicada
Xícaras semelhantes,
Sequilhos acompanhantes
Na conversa do par.
A concordância do pensamento
Estava traçada a minha aventura.
Sorri, outra vez... feliz.
A antiguidade é sábia
Por não perder a esperança!